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Como lidar com a insegurança diante de uma nova fase

Foto do escritor: Psicóloga Joyce Nascimento
Psicóloga Joyce Nascimento
12 de set.
7 min de leitura

Atualizado: 24 de set.


Mulher refletindo sobre a insegurança diante de uma nova fase da vida

Sentir insegurança diante de uma nova fase não significa, por si só, que você está fazendo uma escolha errada. Começar uma nova fase pode ser exatamente aquilo que você desejava e, ainda assim, despertar insegurança.

Um novo trabalho. Uma mudança de cidade ou país. O fim de um relacionamento. Um novo relacionamento. Uma mudança de carreira. A decisão de morar sozinha. A chegada a uma nova etapa da vida.

Mesmo quando a mudança é desejada, existe algo que deixa de ser conhecido.

A rotina muda. Algumas referências deixam de existir. Novas decisões precisam ser tomadas. E aquilo que antes parecia familiar pode já não oferecer a mesma sensação de segurança.

Por isso, é possível querer muito uma mudança e, ao mesmo tempo, sentir medo dela.

Sentir insegurança diante do novo não significa necessariamente que você tomou a decisão errada.

Muitas vezes, significa apenas que você está diante de algo que ainda não conhece.

Por que a insegurança diante de uma nova fase acontece?

Quando uma mudança acontece, nem tudo pode ser previsto.

Você pode saber o que está deixando para trás, mas ainda não saber exatamente como será a próxima etapa.

Essa falta de previsibilidade pode aumentar a sensação de insegurança.

A American Psychological Association destaca que situações de transição e incerteza podem estar associadas a ansiedade antecipatória, especialmente quando a pessoa começa a imaginar possíveis ameaças ou resultados negativos antes que eles aconteçam.

Isso pode aparecer em pensamentos como:

“E se eu não conseguir?”
“E se eu me arrepender?”
“E se as coisas não saírem como imaginei?”
“E se eu não me adaptar?”
“E se eu estiver fazendo a escolha errada?”

O problema não está necessariamente em fazer essas perguntas.

Em muitos momentos, pensar sobre possibilidades pode ajudar no planejamento.

A dificuldade começa quando a tentativa de prever o futuro se transforma em uma necessidade de ter certeza antes de seguir em frente.

E certeza absoluta, infelizmente, continua sendo um produto que a humanidade ainda não conseguiu colocar no carrinho da Amazon.

Insegurança significa que você não está preparada?

Não necessariamente.

Uma das armadilhas comuns durante períodos de mudança é interpretar a própria insegurança como uma prova de incapacidade.

A pessoa pensa:

“Se eu estivesse realmente preparada, não estaria com medo.”

Mas estar preparada não significa sentir-se completamente segura.

Você pode ter recursos, experiência e capacidade para enfrentar uma situação e ainda sentir desconforto diante dela.

Uma nova fase exige adaptação.

E adaptação acontece ao longo do processo, não necessariamente antes dele começar.

Quando a insegurança começa a se transformar em ansiedade?

Insegurança e ansiedade podem aparecer juntas, mas não são sinônimos.

Sentir desconforto diante de uma mudança pode ser uma resposta esperada a uma situação nova.

Já a ansiedade pode se tornar mais problemática quando a preocupação se torna persistente, difícil de controlar ou começa a interferir na vida cotidiana.

O National Institute of Mental Health (NIMH) diferencia situações comuns de estresse e ansiedade de quadros em que os sintomas persistem e passam a interferir significativamente nas atividades do dia a dia.

Por isso, uma pergunta importante não é apenas:

“Estou insegura?”

Mas também:

“O que essa insegurança está fazendo com a minha vida?”

Se ela está ajudando você a pensar, planejar e se preparar, pode estar cumprindo uma função.

Se está levando a uma sequência interminável de preocupações, evitando decisões, impedindo você de agir ou comprometendo sua rotina, merece maior atenção.

O que fazer quando você não consegue prever como será essa nova fase?

Você não precisa descobrir todo o futuro para conseguir dar o próximo passo.

Uma estratégia útil é separar aquilo que pode ser planejado daquilo que precisa ser vivenciado.

1. Identifique o que está sob seu controle

Pergunte:

O que eu posso fazer hoje para me preparar para essa mudança?

Pode ser:

  • organizar informações;

  • estabelecer uma rotina;

  • planejar questões financeiras;

  • conversar com pessoas de confiança;

  • pesquisar o que você ainda não conhece;

  • definir os próximos passos;

  • organizar seu tempo.

A American Psychological Association recomenda direcionar a atenção para aspectos que estão sob nosso controle e estabelecer estruturas e rotinas durante períodos de incerteza.

O objetivo não é controlar tudo.

É perceber que, mesmo em uma situação incerta, algumas coisas continuam dependendo das suas escolhas.

2. Diferencie preparação de tentativa de controlar o futuro

Existe uma diferença importante entre se preparar e tentar prever todas as possibilidades.

Preparação pode ser:

“Vou pesquisar como funciona.”

Tentativa de controle pode se transformar em:

“Preciso pesquisar até ter certeza de que nada dará errado.”

A primeira permite ação.

A segunda pode alimentar ainda mais insegurança.

Quando perceber que está buscando informações repetidamente, pergunte:

“Estou aprendendo algo novo ou tentando eliminar completamente a possibilidade de dar errado?”

Essa pergunta pode ajudar a identificar quando a preparação começa a se transformar em uma tentativa de obter uma certeza impossível.

3. Não transforme desconforto em sinal de fracasso

Uma nova fase pode ser desconfortável.

Você pode sentir saudade da antiga rotina.

Pode questionar algumas escolhas.

Pode precisar de tempo para estabelecer novos hábitos.

Pode sentir falta de referências que antes pareciam pequenas, mas que agora fazem diferença.

Nada disso significa automaticamente que você não está se adaptando.

Algumas mudanças exigem tempo para que uma nova sensação de familiaridade seja construída.

4. Observe o que você está dizendo para si mesma

Durante uma transição, pensamentos automáticos podem aparecer com bastante força.

Por exemplo:

“Eu deveria saber exatamente o que fazer.”
“Todo mundo parece lidar melhor com isso do que eu.”
“Se eu errar agora, estraguei tudo.”
“Eu deveria estar mais feliz.”
“Se estou insegura, provavelmente fiz a escolha errada.”

Em vez de aceitar automaticamente esses pensamentos como fatos, experimente investigá-los.

Pergunte:

Existe evidência de que isso é verdade?

Existe outra maneira de interpretar essa situação?

Eu estaria dizendo a mesma coisa para alguém que estivesse passando pela mesma experiência?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, esse tipo de investigação ajuda a observar a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos.

5. Olhe para experiências anteriores

Quando estamos diante de algo novo, é fácil esquecer que já enfrentamos outras situações desconhecidas.

Pense em mudanças anteriores.

Talvez você já tenha:

  • começado algo sem saber exatamente como seria;

  • aprendido uma habilidade nova;

  • enfrentado uma perda;

  • mudado de cidade;

  • iniciado ou encerrado um relacionamento;

  • mudado de trabalho;

  • tomado uma decisão importante;

  • enfrentado um período que, naquele momento, parecia impossível.

Pergunte:

“O que a minha própria história mostra sobre a forma como eu lido com mudanças?”

A resposta não precisa ser “eu sempre lidei bem”.

Talvez você descubra algo mais realista:

“Já tive dificuldade antes e, mesmo assim, encontrei maneiras de continuar.”

Isso é diferente de tentar convencer-se de que tudo dará certo.

É reconhecer recursos que você já possui.

A APA também recomenda refletir sobre situações difíceis anteriores e sobre quais estratégias foram úteis nesses momentos.

6. Construa pequenas referências dentro da nova fase

Quando tudo parece novo, tentar reorganizar a vida inteira de uma vez pode aumentar a sensação de descontrole.

Em vez disso, comece por pequenas estruturas.

Pode ser:

uma rotina de sono mais consistente;

um horário para atividades importantes;

um espaço organizado para trabalhar ou estudar;

uma atividade que você goste;

contato regular com pessoas importantes;

momentos de descanso;

pequenos objetivos para a semana.

Estrutura não significa rigidez.

Ela pode funcionar como uma referência enquanto outras partes da vida ainda estão sendo construídas.

A APA destaca a importância de estabelecer rotinas e manter conexões sociais durante períodos de incerteza.

7. Permita que a nova fase seja diferente do que você imaginou

Existe uma expectativa silenciosa que pode tornar as mudanças ainda mais difíceis:

“Se eu escolhi isso, preciso estar feliz com tudo.”

Mas uma decisão pode ser adequada e ainda assim envolver sentimentos difíceis.

Você pode estar feliz e com medo.

Aliviada e insegura.

Animada e cansada.

Grata e com saudade.

Essas experiências não necessariamente se anulam.

Uma nova fase não precisa produzir uma única emoção.

Ela pode ser complexa.

E talvez parte da adaptação seja justamente aprender a conviver com essa complexidade sem exigir de si mesma uma resposta emocional perfeita.

Um exercício para momentos de insegurança

Quando perceber que está tentando resolver toda a nova fase de uma vez, pegue papel e responda:

O que está acontecendo?

Descreva a situação atual sem interpretações.

O que estou imaginando?

Registre os cenários que sua mente está antecipando.

O que está sob meu controle?

Liste apenas aquilo sobre o qual você pode agir neste momento.

O que não está sob meu controle?

Reconheça aquilo que depende de outras pessoas, circunstâncias ou do próprio tempo.

Qual é o próximo passo possível?

Não o plano para os próximos cinco anos.

O próximo passo.

Às vezes, reduzir uma grande mudança ao próximo passo possível torna a situação mais concreta e menos esmagadora.

Quando procurar ajuda psicológica?

Nem toda insegurança diante de uma mudança precisa de intervenção psicológica.

Mas pode ser importante procurar ajuda quando o sofrimento se torna persistente ou começa a interferir significativamente na sua vida.

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • preocupação constante com o futuro;

  • dificuldade de interromper pensamentos sobre o que pode dar errado;

  • evitação de decisões ou situações importantes;

  • alterações persistentes no sono;

  • dificuldade de concentração;

  • sofrimento que interfere no trabalho ou nos estudos;

  • isolamento;

  • dificuldade de manter atividades importantes;

  • sensação de estar constantemente em alerta;

  • perda significativa de qualidade de vida.

O NIMH recomenda buscar ajuda profissional quando sintomas de estresse ou ansiedade persistem ou começam a interferir nas atividades cotidianas.

Procurar psicoterapia não significa que você esteja “lidando mal” com a mudança.

Pode significar simplesmente que você deseja compreender melhor o que está acontecendo e encontrar maneiras mais funcionais de atravessar esse período.

Talvez você não precise se sentir segura para começar

Uma nova fase raramente vem acompanhada de todas as respostas.

Algumas delas só aparecem depois que você começa a vivê-la.

Por isso, talvez o objetivo não seja eliminar completamente a insegurança antes de seguir.

Pode ser aprender a reconhecer:

o que você sabe;

o que ainda não sabe;

o que pode fazer;

o que precisa esperar;

e quais recursos pode construir ao longo do caminho.

Sentir insegurança diante do novo não significa necessariamente que você esteja no caminho errado.

Às vezes, significa apenas que você está diante de algo que ainda está aprendendo a conhecer.

Psicoterapia nas transições de vida

Mudanças importantes podem trazer questões que vão além da própria situação.

Podem surgir dúvidas sobre identidade, escolhas, relacionamentos, expectativas, valores e sobre a pessoa que você deseja ser nessa nova etapa.

Na psicoterapia, esse processo pode ser explorado de maneira individualizada.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é possível trabalhar pensamentos, emoções e comportamentos relacionados à situação atual, identificando padrões que podem aumentar o sofrimento e desenvolvendo estratégias mais funcionais para lidar com a mudança.

A Psicóloga Joyce Nascimento realiza atendimento psicológico online para adolescentes e adultos, acompanhando diferentes demandas emocionais, incluindo transições de vida, ansiedade, identidade, relacionamentos e adaptação cultural.

Você não precisa ter todas as respostas para começar uma nova fase.

Referências

American Psychological Association (APA). Understanding anticipatory anxiety during key life transitions. Monitor on Psychology, 2025. APA – Understanding anticipatory anxiety during key life transitions

American Psychological Association (APA). 10 tips for dealing with the stress of uncertainty. Atualizado em 6 de janeiro de 2026. APA – 10 tips for dealing with the stress of uncertainty

National Institute of Mental Health (NIMH). I'm So Stressed Out! Fact Sheet. NIMH – I'm So Stressed Out! Fact Sheet

National Institute of Mental Health (NIMH). Generalized Anxiety Disorder: What You Need to Know. NIMH – Generalized Anxiety Disorder

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